quarta-feira, 31 de julho de 2013

Residência do mês


A residência do mês que trouxemos hoje é a Casa Rex do escritório paulista FGMF Arquitetos (do trio Fernando Forte, Lourenço Gimenes, Rodrigo Marcondes Ferraz). A Casa Rex na realidade é um estúdio de design que ocupa uma antiga residência dos anos 1940, no bairro do Pacaembu em São Paulo, a qual não tinha uma identidade própria em seu espaço físico até então. Mas se a idéia do escritório FGMF foi essa, eles conseguiram alcançar e superar os seus objetivos. A fachada chama atenção pelo uso de módulos dispostos de forma alternando dois tipos de pedras: arenito vermelho e cascalho cinza em gabiões.



Ocupando uma área de 603 metros quadrados, o programa dos clientes foi dividido em três partes: a área de encontro, onde haveria a recepção e um lugar exibindo projetos do escritório. A área do estúdio, completamente separada da primeira, onde todos trabalhariam juntos em um espaço aberto e com pé-direito duplo. E, finalmente, a área frontal externa, com acesso restrito e controlado.


PAVIMENTO TÉRREO

PAVIMENTO SUPERIOR

Se o edifício chama atenção por sua fachada, seus interiores são ainda mais surpreendentes. Os profissionais tiveram que lidar com baixos recursos disponíveis para a reforma e recorreram a soluções incomuns que valorizaram ainda mais a proposta. A complexidade de formas e a combinação de diferentes materiais, além da utilização de materiais próprios de obras de infraestrutura urbana, são os pontos fortes também internamente. O empilhamento de caixas pré-moldadas de concreto, utilizadas na canalização de córregos, que faz as vezes de uma grande estante. O mesmo módulo, combinado a peças de madeira, constitui a escada de ligação entre os dois pavimentos do escritório da agência.



Nos setores sociais da recepção do escritório, o destaque fica por conta do grande contraste dos materiais utilizados e dos percursos brancos, no térreo, e dos volumes das salas de reuniões, no pavimento superior, à rudeza das pedras no chão e paredes, pilares, vigas e lajes aparentes. É quase como uma mistura de uma galeria e um espaço corporativo, algo diferente para uma empresa incomum. O projeto resulta de uma arquitetura essencialmente simples, sem muito arrojo estrutural, mas rica nos que diz respeito ao trato com os materiais e na aplicação de soluções inventivas.



Fontes das imagens: FGMF Arquitetos

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O Aço Corten®

O aço Corten®, também conhecido por aço patinável, é um material versátil, que pode ser usado tanto nos interiores quanto nas fachadas, áreas externas, pontes, torres, e na fabricação de esculturas e objetos decorativos. Uma das belezas desse acabamento é justamente a sua deterioração ao longo dos anos, principalmente se estiver exposto aos efeitos do clima. O material tem sido utilizado em muitos projetos, justamente pelo seu aspecto e estética que remete a fábricas e prédios comerciais, mas também por sua resistência à corrosão.

A sua coloração é conseguida através do processo de fabricação: o aço, inicialmente claro, é acrescido de substâncias anticorrosivas que, quando expostas à atmosfera, formam uma camada de óxido (conhecida como pátina) de cor avermelhada, responsável pelo ar enferrujado. Além de deixar o material mais atraente, a camada funciona justamente como barreira de proteção contra a corrosão, a qual apresenta, em média, três vezes mais resistência à corrosão que o aço comum. Outra vantagem é que o aço Corten® dispensa a pintura em ambientes extremamente agressivos, como em regiões de orla marítima, por exemplo, necessitando apenas aplicação de um verniz protetor.

Desenvolvido originalmente para a indústria ferroviária, a grande virtude do aço Corten® era permitir a construção de vagões mais leves. Porém, o fator resistência à corrosão era até então desconhecido, embora desde o final do século XIX os benefícios do cobre e do fósforo em influências benéficas à corrosão atmosférica já serem conhecidos. Porém, somente a partir de 1958 que o aço patinável começou a ser utilizado em inúmeras obras de arquitetura, devido às suas características anti-corrosivas. Acabou caindo no gosto também dos engenheiros que passaram a utilizar o material em grandes estruturas.

Geralmente o produto é encontrado em painéis de aço Corten® já vem patinados e podem ser utilizados para uso externo quanto interno, disponíveis nas seguintes dimensões: 2 x 1200 x 25000 mm e 30000 mm, ou sob medida. Trouxemos alguns projetos diferentes e inspiradores, tanto para ambientes internos quanto externos, além da utilização do aço em detalhes, demonstrando a versatilidade do material, que combina com outros materiais como madeira, concreto aparente, pedras, tijolos à vista, etc. No mercado já existem até porcelanatos que imitam a aparência do material.

O projeto vencedor do Concurso Banca Nova, utiliza estrutura pré-fabricada de aço corten, além de painéis do material revestindo a fachada. Projeto do arquiteto João Paulo Guedes, do escritório Girao Studio.

A casa noturna Club Nox, em Recife, tem revestimento externo em chapas de aço corten, que valorizam a fachada do edifício. Projeto do Metro Arquitetura e Juliano Dubeux.

O guarda-corpo que define o acesso ao auditório do Centro Cultural de Araras é todo feito em aço corten, combinando com o ar mais rústico do projeto. Projeto do escritório AUM Arquitetos. 

A escada helicoidal do espaço fashion foi feita com pisos em madeira e estrutura em aço corten. Projeto não identificado a autoria.

Duas paredes desse lavabo foram revestidas utilizando um porcelanato da Incepa que imita o aço corten. 

Essa porta pivotante foi toda feita em peças em aço Corten, além do rebaixo que serve de puxador. Projeto da Da'rte Metais.

A torre mirante de 30 metros de altura, foi construída com 111 toneladas de aço Corten e possui nove lances entrelaçados de escada que levam ao mirante no topo. Projeto do arquiteto alemão Stefan Giers.

Essa intervenção urbana em Pécs, na Hungria, contou com a reconstrução de parte arruinada de um palácio renascentista. Até os blocos de assentos foram feitos em aço corten. Projeto do MARP Arquitetos.  

Este é o primeiro de uma série de edifícios que vão compor o Parque Tecnológico de Belo Horizonte. O prédio com 8 500 m² de área construída exibe na fachada elementos vazados de concreto, placas de aço Corten e estrutura metálica.

Fontes: Portal Metalica e Oficina do Corten®